DOENÇA: Amebíase

(Entamoeba histolytica)

TRANSMISSÃO

Pode ocorrer de pessoa a pessoa ou por ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes contendo cistos. Raramente, transmissão sexual (contato oral-anal).

QUADRO CLÍNICO

A amebíase tem duas formas clínicas: intestinal e extra-intestinal. A colite não disentérica é, atualmente, a mais frequente, com desconforto abdominal leve ou moderado, cólicas, tenesmo, diarreia, alternando com ritmo intestinal normal ou constipação, podendo haver sangue e/ou muco nas fezes.

Casos de colite disentérica são raros com diarreia aguda, acompanhada de febre baixa, calafrios e dor abdominal, podendo evoluir para uma grave colite fulminante, de elevada mortalidade. A presença de uma falsa tumoração, o Ameboma, mais comum no cólon direito, pode simular neoplasia colônica.

Dentre as formas extra-intestinais, a de maior ocorrência é o abscesso amebiano hepático, geralmente único e no lobo hepático direito. Abscesso pulmonar e cerebral podem ocorrer e costumam ter elevado índice de mortalidade.

CURIOSIDADES

O chamado Abscesso amebiano hepático é uma expressão médica inadequada, em razão da inexistência de pus no seu interior. O termo apropriado, necrose coliquativa do fígado, nunca teve boa aceitação nas publicações científicas.

DOENÇA: Balantidíase

(Balantidium coli)

TRANSMISSÃO

É adquirida através da ingestão de água e alimentos contaminados por material fecal de suínos. Acomete pessoas que vivem em áreas de criação de suínos, com condições ruins de saneamento básico. No ser humano, seu habitat é o intestino grosso, onde pode provocar lesões semelhantes às observadas na amebíase.

QUADRO CLÍNICO

As infecções podem ser completamente assintomáticas ou apresentar dor abdominal, tenesmo, diarreia intermitente, enterorragia, ou até constipação.

CURIOSIDADES

Pode causar lesões extra-intestinais. O parasita alimenta-se apenas de amido (açúcar vegetal).

DOENÇA: Giardíase

Giardia lamblia (Giardia intestinalis / Giardia duodenalis)

TRANSMISSÃO

Fecal-oral de forma direta (pela contaminação das mãos e consequente ingestão de cistos existentes em dejetos de pessoa infectada) ou indireta (por meio da ingestão de água ou alimento contaminados).

QUADRO CLÍNICO

A maioria das infecções é assintomática, podendo ocorrer tanto em adultos quanto em crianças. A infecção sintomática pode apresentar-se de forma aguda, com diarreia, distensão e dores abdominais e

vômitos, ou crônica, caracterizada por fezes pastosas, fadiga, anorexia, flatulência e distensão abdominal. As diarreias prolongadas podem evoluir para síndrome de má absorção, com perda de importantes nutrientes e vitaminas. Não raramente, perda de peso e anemia.

CURIOSIDADES

Epidemias podem ocorrer, principalmente, em instituições fechadas que atendem crianças, sendo o grupo etário mais acometido situado entre 8 meses e 10/12 anos. A G. lamblia é reconhecida como um

dos agentes etiológicos da “diarreia dos viajantes” em zonas endêmicas. É o protozoário mais frequentemente encontrado neste tipo de afecção.

DOENÇA: Criptosporidíase

(Cryptosporidium parvum / Cryptosporidium homini)

TRANSMISSÃO

Fecal-oral, de animais para a pessoa ou entre pessoas, pela ingestão ou inalação de oocistos esporulados, que são formas infecciosas do protozoário..

QUADRO CLÍNICO

É responsável por diarreia esporádica em todas as idades, diarreia aguda em crianças e diarreia dos viajantes. Indivíduos imunocompetentes podem

ser apenas portadores assintomáticos ou apresentar um quadro febril, diarreia e vômitos, entre 1 e 20 dias, com duração média de 10 dias. Em imunodeprimidos, particularmente com infecção por HIV, ocasiona enterite grave, caracterizada por diarreia aquosa, acompanhada de dor abdominal, mal-estar, anorexia, náuseas, vômitos e febre. Esses pacientes podem desenvolver diarreia crônica e severa, desnutrição, desidratação e morte fulminante. Nessa situação, podem ser atingidos os pulmões, trato biliar ou surgir infecção disseminada.

CURIOSIDADES

Os oocistos são resistentes ao cloro, podendo a afecção ser adquirida em banhos de piscina. Em indivíduos imunocomprometidos o tratamento tem menor eficácia.

DOENÇA: Blastocitose

(Blastocystis hominis)

TRANSMISSÃO

Via fecal-oral, tendo como veículos a água ou alimentos contaminados.

QUADRO CLÍNICO

Ainda nos dias atuais, discute-se se essa protozoose é patogênica para o homem. A infecção pode ser assintomática, ou pode provocar sintomas gastrointestinais

inespecíficos como náuseas, vômitos, dor abdominal tipo cólica, flatulência e diarreia.

CURIOSIDADES

Os oocistos são resistentes ao cloro, podendo a afecção ser adquirida em banhos de piscina. Em indivíduos imunocomprometidos o tratamento tem menor eficácia.

DOENÇA: Enterobíase / Oxiurise

(Enterobius vermicularis)

TRANSMISSÃO

Esse parasita tem transmissão predominantemente fecal-oral. A autoinfecção externa ou direta é a forma mais comum (do ânus para a cavidade oral), por meio dos dedos, no ato de coçar o ânus, principalmente nas crianças, pacientes psiquiátricos e adultos com hábitos de higiene precários.

QUADRO CLÍNICO

Pode cursar assintomática ou apresentar, como característica principal, o prurido perianal, frequentemente noturno, que causa irritabilidade, desconforto e sono intranquilo.

As escoriações provocadas pelo ato de coçar podem resultar em infecções secundárias em torno do ânus. Sintomas inespecíficos do aparelho digestivo como vômitos, dor abdominal e tenesmo podem estar presentes. Nas crianças do sexo feminino, pode levar a quadros graves de vaginite, salpingites e peritonites, consequentes à sua migração.

CURIOSIDADES

É uma das helmintíases mais frequentes na infância, sendo mais incidente na idade escolar. É importante ressaltar que, em geral,

afeta mais de um membro na família, o que tem implicações no seu controle. O tratamento deve ser dirigido a todas as pessoas que vivem no mesmo domicílio, sintomáticas ou não.

DOENÇA: Ascaridíase

(Ascaris lumbricoides)

TRANSMISSÃO

Ingestão dos ovos infectantes do parasita, procedentes do solo, da água ou de alimentos contaminados com fezes humanas.

QUADRO CLÍNICO

Nem sempre causa sintomas, mas pode manifestar-se por dor abdominal, diarreia, náuseas e anorexia. Quando há grande número de parasitas, pode ocorrer quadro de suboclusão ou obstrução intestinal, provocado pelo enovelamento dos

vermes. Por sua grande capacidade migratória, o Ascaris pode penetrar nas vias biliares atingindo até a vesícula biliar e o fígado, levando a complicações como colangites, pancreatites e abscesso hepático.

CURIOSIDADES

Em virtude do ciclo pulmonar da larva, alguns pacientes apresentam manifestações pulmonares, como broncoespasmo, dispneia, sibilos e pneumonite, caracterizando a síndrome de Löeffler. Quando a

Ascaridíase está associada a outras parasitoses, e se pretende utilizar um anti-helmíntico polivalente, o medicamento escolhido tem que apresentar boa eficácia para esse parasita para evitar a migração.

DOENÇA: Ancilostomíase

(Ancylostoma duodenale/ Necator americanus) )

TRANSMISSÃO

Penetração das larvas infectantes através da pele, geralmente pelos pés (Necator e Ancylostoma) ou por ingestão de água ou alimentos contaminados (Ancylostoma) As larvas dos ancilóstomos, após penetrarem pela pele, passam pelos vasos linfáticos, ganham a corrente sanguínea e, nos pulmões, penetram nos alvéolos. Daí migram para a traqueia e faringe, são deglutidas e chegam ao intestino delgado, onde se fixam e maturam.

QUADRO CLÍNICO

As infecções leves podem ser assintomáticas. Um quadro

gastrointestinal agudo com náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e flatulência, também pode ocorrer. Em crianças com parasitismo intenso, pode ocorrer hipoproteinemia e atraso no desenvolvimento físico e mental. Através da sua peculiar fixação à mucosa intestinal, utilizando-se das cápsulas bucais, consegue obter, através do sangue do hospedeiro, o oxigênio necessário à sua sobrevivência. Com frequência acarreta anemia ferropriva, que, dependendo da intensidade da infecção, pode ser muito acentuada.

CURIOSIDADES

O termo “amarelão”, presente na história do Jeca Tatu, surgiu para

caracterizar a palidez encontrada em pacientes portadores desta afecção com anemia severa. Casos de perversão do apetite, como geofagia (comer barro), podem ser observados.

DOENÇA: Tricuríase

(Trichuris trichiura)

TRANSMISSÃO

Ingestão de ovos embrionados. As larvas são liberadas no intestino delgado e permanecem neste local para um período de maturação, deslocando-se para o intestino grosso, onde vão se fixar, quando adultos. Os ovos eliminados pelas fezes devem permanecer no solo por cerca de duas semanas antes de se tornarem infectantes.

QUADRO CLÍNICO

É a parasitose intestinal onde os casos assintomáticos são os mais frequentes.

ocorrência de sintomas relaciona-se com a carga parasitária do indivíduo acometido. Dor abdominal, náuseas e anorexia são sintomas frequentes. Nos casos graves pode provocar diarreia por tempo prolongado, às vezes sanguinolenta, e anemia. Em crianças com diarreia crônica e desnutridas pode ocorrer prolapso retal, caracterizado pela exposição da mucosa retal, onde se visualiza a presença de pequenos parasitas aderidos.

CURIOSIDADES

Essa parasitose apresenta os menores índices de cura em relação aos demais

parasitas, obtendo-se melhores resultados com medicamentos antiparasitários específicos. Os ovos do T. trichiura não são resistentes em áreas de clima muito seco.

DOENÇA: Teníase

(Taenia solium/ Taenia saginata)

TRANSMISSÃO

A Teníase é adquirida pela ingestão de carne de boi (T. saginata) ou de porco (T. solium) mal cozidas, contendo os cisticercos. Quando o homem, acidentalmente, ingere os ovos viáveis de T. solium, pode adquirir a Cisticercose.

QUADRO CLÍNICO

O complexo Teníase/Cisticercose é constituído por duas entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio em fases diferentes do seu ciclo de vida. >A Teníase é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium

ou da Taenia saginata no intestino delgado do homem, adquiridas pela ingestão de cisticercos. Pode causar dores abdominais, náuseas, debilidade, perda ponderal, flatulência, diarreia ou constipação. A Cisticercose é causada pela larva da Taenia solium nos tecidos, podendo acometer os músculos esqueléticos, olhos e cérebro. A neurocisticercose é uma forma comum e os pacientes queixam-se de cefaleia, alterações psíquicas e convulsões similares às da Epilepsia. A suspeita de Cisticercose deve estar sempre presente nos casos de crises convulsivas iniciadas em indivíduos na idade adulta.

CURIOSIDADES

Esta afecção é popularmente conhecida como “solitária”, pois geralmente cada paciente é infectado por apenas um parasito e a expressão “lombriga na cabeça” é usada para referir a forma de apresentação da neurocisticercose.

DOENÇA: Himenolepíase

(Hymenolepis nana)

TRANSMISSÃO

Os ovos são ingeridos através de alimento ou água contaminados, ou através da mão contaminada pelas fezes. O período de vida de uma larva adulta no intestino é de 4 a 6 semanas, porém a autoinfecção permite que a infestação persista por anos. Caso os ovos de Hymenolepis nana sejam ingeridos por carunchos de cereais, pulgas (principalmente de roedores) e outros insetos, estes se transformam em infectantes para os seres humanos e também para os roedores, quando ingeridos acidentalmente.

QUADRO CLÍNICO

Acomete em maior grau crianças, uma vez que, conforme a idade, melhora a higiene pessoal e também o desenvolvimento de uma melhor ação imunológica. Quando o grau de infecção é pequeno, os sintomas são mais brandos: anorexia, perda de peso, diarreia de intensidade variável, etc. Se o número de parasitas for maior, a intensidade dos sintomas também aumenta, podendo ocorrer dores abdominais, diarreia intensa, vômitos, cefaleia, tonturas, insônias e também crises similares às epilépticas, provocadas pela liberação de toxinas que estimulam o córtex cerebral.

CURIOSIDADES

É a única tênia que infecta o homem sem um hospedeiro intermediário obrigatório. Os ovos infectantes de Hymenolepis nana são liberados com as fezes e podem sobreviver mais de 10 dias exposto no meio ambiente.

DOENÇA: Estrongiloidíase

(Strongyloides stercoralis)

TRANSMISSÃO

Não é raro ser assintomática. As formas sintomáticas apresentam inicialmente alterações cutâneas, secundárias à penetração das larvas através da pele. Pode causar manifestações pulmonares, como tosse seca ou produtiva mucosa, dispneia ou broncoespasmo (síndrome de Löeffler). As manifestações intestinais podem ser de média ou grande intensidade, com diarreia, dor abdominal e flatulência, acompanhadas ou não de anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica em queimação, que pode simular quadro de úlcera péptica.

QUADRO CLÍNICO

Acomete em maior grau crianças, uma vez que, conforme a idade, melhora a higiene pessoal e também o desenvolvimento de uma melhor ação imunológica. Quando o grau de infecção é pequeno, os sintomas são mais brandos: anorexia, perda de peso, diarreia de intensidade variável, etc. Se o número de parasitas for maior, a intensidade dos sintomas também aumenta, podendo ocorrer dores abdominais, diarreia intensa, vômitos, cefaleia, tonturas, insônias e também crises similares às epilépticas, provocadas pela liberação de toxinas que estimulam o córtex cerebral.

CURIOSIDADES

Os quadros graves (hiperinfecção e disseminação) se caracterizam por febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias profusas, até síndrome de má absorção, manifestações pulmonares e, eventualmente, meningite, endocardite, sepse e peritonite, podendo atingir letalidade de 85% nos casos de estrongiloidíase disseminada.

DOENÇA: Esquistossomose mansônica

(Schistosoma mansoni)

TRANSMISSÃO

A contaminação ocorre pela penetração da cercária através da pele, quando se entra em contato com água onde existem os caramujos infectados, que são os hospedeiros intermediários. Após passagem pela circulação e pulmões, os esquistossômulos tornam-se vermes adultos e acasalam nos plexos venosos mesentéricos e porta.

QUADRO CLÍNICO

Acomete em maior grau crianças, uma vez que, conforme a idade, melhora a higiene pessoal e também o desenvolvimento de uma melhor ação imunológica.

Quando o grau de infecção é pequeno, os sintomas são mais brandos: anorexia, perda de peso, diarreia de intensidade variável, etc. Se o número de parasitas for maior, a intensidade dos sintomas também aumenta, podendo ocorrer dores abdominais, diarreia intensa, vômitos, cefaleia, tonturas, insônias e também crises similares às epilépticas, provocadas pela liberação de toxinas que estimulam o córtex cerebral.

CURIOSIDADES

Os quadros graves (hiperinfecção e disseminação) se caracterizam por febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias profusas,

até síndrome de má absorção, manifestações pulmonares e, eventualmente, meningite, endocardite, sepse e peritonite, podendo atingir letalidade de 85% nos casos de estrongiloidíase disseminada.